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1884–1914

APÓSTROFE À CARNE

Augusto de Carvalho Rodrigues dos Anjos

Quando eu pego nas carnes do meu rosto, Pressinto o fim da orgânica batalha: — Olhos que o húmus necrófago estraçalha, Diafragmas, decompondo-se, ao sol posto...

E o Homem — negro e heteróclito composto, Onde a alva flama psíquica trabalha, Desagrega-se e deixa na mortalha O tato, a vista, o ouvido, o olfato e o gosto!

Carne, feixe de mônadas bastardas, Conquanto em flâmeo fogo efêmero ardas, A dardejar relampejantes brilhos, Dói-me ver, muito embora a alma te acenda,

Em tua podridão a herança horrenda, Que eu tenho de deixar para os meus filhos!

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