Esta a quem doce olhar, tímido, furtas,
De régio entono e de perfil bizarro,
Vem, coroada de pâmpanos e murtas,
Alegoricamente no seu carro.
Um punhado de pérolas lhe enfeita
A cabeleira esplêndida e o vestido!
— Empunha, altiva, um cetro à mão direita
E esmaga aos pés um coração ferido!
Ondeia ao vento a clâmide vermelha
No ombro alvo e nu, de rosa e leite, morno,
E a víbora da Inveja olha-a de esguelha,
Com a língua preta babujando em torno!
O tigre do Ódio vê-se brando ante ela
E a serpente da Cólera ígnea, em calma!
— Dormem quietas, em suma, às plantas dela
Todas as feras que nós temos n’alma! —