Salve, deusa que em Pafos se cultua!
Que estranha ave do céu, gárrula, canta
Dentro do ninho de coral da tua
Bela, suavíssima, ótima garganta?!
A caçoila da minha estrofe exale
A mirra e o incenso arábico mais brando
A ti que, assim como Hércules Onfale,
Puseste aos pés a humanidade fiando!
E que, bem como a água de um lago imundo
A alvíssima asa imácula dos cisnes,
Atravessas os pântanos do mundo
Sem que a diáfana alvura da alma tisnes.
Diante o esplendor da tua maravilha,
Beijando as tuas tranças de veludo,
Flor da espuma do mar de Chipre, filha
Do sol e irmã do luar: — Eu te saúdo!