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1884–1914

A MÁSCARA

Augusto de Carvalho Rodrigues dos Anjos

Eu sei que há muito pranto na existência, Dores que ferem corações de pedra, E onde a vida borbulha e o sangue medra, Aí existe a mágoa em sua essência.

No delírio, porém, da febre ardente Da ventura fugaz e transitória O peito rompe a capa tormentória Para sorrindo palpitar contente.

Assim a turba inconsciente passa, Muitos que esgotam do prazer a taça Sentem no peito a dor indefinida. E entre a mágoa que másc’ra eterna apouca

A Humanidade ri-se e ri-se louca No carnaval intérmino da vida.

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