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1884–1914

A ESMOLA DE DULCE

Augusto de Carvalho Rodrigues dos Anjos

E todo o dia eu vou como um perdido De dor, por entre a dolorosa estrada, Pedir a Dulce, a minha bem-amada, A esmola dum carinho apetecido.

E ela fita-me, o olhar enlanguescido, E eu balbucio trêmula balada: — Senhora dai-me u’a esmola — e estertorada A minha voz soluça num gemido.

Morre-me a voz, e eu gemo o último harpejo, Estendo à Dulce a mão, a fé perdida, E dos lábios de Dulce cai um beijo. Depois, como este beijo me consola!

Bendita seja a Dulce! A minha vida Estava unicamente nessa esmola.

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