Soltai-o! — diz o chefe. Pasma a turba; Os guerreiros murmuram: mal ouviram, Nem pode nunca um chefe dar tal ordem! Brada segunda vez com voz mais alta,
Afrouxam-se as prisões, a embira cede, A custo, sim; mas cede: o estranho é salvo. Timbira, diz o índio enternecido, Solto apenas dos nós que o seguravam:
És um guerreiro ilustre, um grande chefe, Tu que assim do meu mal te comoveste, Nem sofres que, transposta a natureza, Com olhos onde a luz já não cintila,
Chore a morte do filho o pai cansado, Que somente por seu na voz conhece. — És livre; parte. — E voltarei.
— Debalde. — Sim, voltarei, morto meu pai. — Não voltes! É bem feliz, se existe, em que não veja,
Que filho tem, qual chora: és livre; parte! — Acaso tu supões que me acobardo, Que receio morrer! — És livre; parte!
— Ora não partirei; quero provar-te Que um filho dos Tupis vive com honra, E com honra maior, se acaso o vencem, Da morte o passo glorioso afronta.
— Mentiste, que um Tupi não chora nunca, E tu choraste!... parte; não queremos Com carne vil enfraquecer os fortes. Sobresteve o Tupi: — arfando em ondas
O rebater do coração se ouvia Precípite. — Do rosto afogueado Gélidas bagas de suor corriam: Talvez que o assaltava um pensamento...
Já não... que na enlutada fantasia, Um pesar, um martírio ao mesmo tempo, Do velho pai a moribunda imagem Quase bradar-lhe ouvia: — Ingrato! Ingrato!
Curvado o colo, taciturno e frio. Espectro d’homem, penetrou no bosque!
Cookies on Poetry Cove